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Palocci pode estar com os dias contados no governo


Os dias de Palocci estão contados na Casa Civil
Os dias de Palocci estão contados na Casa Civil

Antonio Palocci parece estar com os dias contados na Casa Civil. A cobrança da opinião pública, o ímpeto da oposição e o silêncio ensurdecedor do ministro sobre seu espetacular enriquecimento ajudaram a traçar um destino que, neste momento, mostra-se inexorável. Até os governistas deixaram de defendê-lo.

Todos os principais jornais do país registram hoje a implosão do que restava de apoio a Palocci na base aliada. Segundo O Estado de S.Paulo, “dirigentes e líderes do PT não só querem a saída do ministro da Casa Civil, como já discutem pelo menos dois nomes para substituí-lo”. Seriam Paulo Bernardo e Gilberto Carvalho.

Os chefes de Palocci – a atual e o antigo – também já começam a lavar as mãos. Segundo a Folha de S.Paulo, “em conversas reservadas, Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliaram a pressão para que o chefe da Casa Civil rompa o silêncio e explique seus negócios em público”.

A Executiva do PT reúne-se hoje e já adiantou que não pretende emitir qualquer posicionamento oficial, nem contra nem tampouco a favor, sobre o ministro. Também pipocam cobranças, entre os aliados, para que ele se explique. Senadores como Gleisi Hoffman, tratada como queridinha do governo, sugerem a saída de Palocci.

Ontem, O Globo publicara declaração de um governador petista, sob anonimato, a respeito do ministro. É lapidar: “Ninguém tem perfeita segurança do que ocorreu. Ele [Palocci] não explica nada! A imagem mais fiel ao caso é um cara vestido com macacão largo, camisa florida, chapéu de florzinha, nariz vermelho e, no fundo, o circo pegando fogo”.
O problema de Palocci – que em sua trajetória política tanto misturou negócios públicos com interesses particulares – passou a ser tratado pelo governo como meramente privado. “Amplia-se na opinião pública a sensação de que, se Palocci prefere o silêncio diante de tanta pressão, de fato tenha algo a esconder”, opina a Folha em editorial publicado hoje.

Se quer uma oportunidade para esclarecer a sociedade, o ministro tem. Ontem a oposição aprovou a sua convocação para falar à Comissão de Agricultura da Câmara. Mas, pelo jeito, seu desejo é continuar omitindo-se. Os governistas falam em “golpe” e tentam a todo o custo derrubar a decisão – algo que só será definido na semana que vem.

“Confirmada a convocação aprovada ontem na Comissão de Agricultura na Câmara, são quase nulas as chances de Palocci dar um show de convencimento. Não depois de tanta luta para se esconder. Derrubar a convocação, faltar? É pior”, observa Dora Kramer n’O Estado de S.Paulo.

Ao invés de exigir de seu subordinado que esclareça o caso, a presidente da República preferiu escancarar a carteira. “Dilma Rousseff decidiu abrir o cofre, liberar o preenchimento de cargos no segundo escalão e mudar de postura na relação com o Congresso na tentativa de debelar a crise política e manter no cargo o ministro”, informa o Valor Econômico.

Para apaziguar a base, o Planalto irá manejar um mapa com mais de cem cargos cobiçados por governistas, com instruções da presidente para nomeações, e liberar R$ 500 milhões em restos a pagar para atender emendas aliadas. Há prova mais evidente da convicção de Dilma sobre a lisura das atividades do seu ministro da Casa Civil?
As revelações de que o patrimônio de Palocci se multiplicou por, pelo menos, 20 vezes em quatro anos vieram a público em 15 de maio – há, portanto, 18 dias. Neste período, o ministro foi incapaz de produzir uma explicação razoável para a compra de bens no valor de R$ 7,5 milhões e para o faturamento de R$ 20 milhões no ano eleitoral de 2010.

Não conseguiu, tampouco, dizer por que metade da bolada que embolsou no ano passado veio após Dilma Rousseff ter sido eleita e ele ter pulado do posto de coordenador da campanha vitoriosa para o de coordenador da transição de governo – com acesso, portanto, a todos os mais sigilosos dados da administração federal.

Alega-se que os R$ 10 milhões depositados na conta corrente da empresa de Palocci entre novembro e dezembro seriam decorrência do encerramento dos contratos de “consultoria” firmados pela Projeto. Nunca se viu contratante pagar por serviço que teve que ser interrompido.

Mais razoável é supor que o pagamento deveu-se a futuros serviços a serem prestados pelo contratado, já na valiosa condição de ministro. Mesmo fora da Casa Civil, Palocci ainda será devedor de explicações sobre o seu show dos milhões.

A condição de todo-poderoso de que Antonio Palocci desfrutava até outro dia está definitivamente perdida e sua saída do cargo tornou-se questão de dias, ou mesmo horas. Pelo jeito, o governo está louco para aparecer um Roberto Jefferson para sugerir: “Sai logo daí, Antonio”.
Carta de Formulação e Mobilização Política – Quinta-feira, 2 de junho de 2011 – Nº 248.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

Força Sindical pede afastamento de Palocci

Aliada do governo, a Força Sindical divulgou, nesta segunda-feira, nota defendendo o “afastamento imediato” do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, do governo. O pedido ocorre após denúncias envolvendo a evolução patrimonial do ministro, suposto tráfico de influência e, no último fim de semana, novas informações sobre o apartamento onde mora, em Moema, área nobre de São Paulo. Segundo reportagem da revista Veja, o imóvel pertenceria a uma empresa de fachada e a dois “laranjas”.

Segundo a nota, o afastamento de Palocci de suas funções públicas “só trará benefícios para o País, que vive um bom momento econômico, com pleno emprego e sinais de controle inflacionário, mas começa a sentir a paralisia política do governo devido às incertezas que cercam o atual ocupante da Casa Civil do Palácio do Planalto”.

A Força Sindical alega, ainda, que a permanência do ministro no cargo pode comprometer os avanços conquistados pelo governo e dificultar as ações do Planalto, já que o cargo exercido por Palocci, o de articulador político, é estratégico.

Na última semana, a situação política de Antonio Palocci havia sido classificada como “delicada” pelo ministro da Secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. O patrimônio do chefe da Casa Civil cresceu 20 vezes desde 2006, depois que ele fundou a consultoria Projeto.

O ministro já apresentou explicações à Procuradoria-Geral da República. O chefe do Ministério Público, Roberto Gurgel, não tem prazo para se pronunciar sobre o caso e pode arquivar o processo ou pedir, em caso de suspeitas de irregularidades, que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorize a realização de diligências e eventualmente abra um inquérito contra Antonio Palocci.







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